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segunda-feira, 5 de março de 2018

Dificuldade

Tenho pensado na vida.
Em como os quereres estão conectados às pessoas.
Em como as pessoas não deixam tempo para os quereres que só existem porque elas estão ali.
Em como daria pra fazer os quereres se não tivessem as pessoas.
Em como não teria esses quereres ligados à essas pessoas.
Em como os quereres seriam diferentes.
Em como daria no mesmo de um jeito diferente.

Tenho pensado no futuro.
O que eu quero ser.
O que eu quero fazer.
O que eu não quero ter. Ou quero?

Estive confusa.
Algo mudou.
Estou confusa.
Não sei o que foi.
Tenho medo que seja eu.
E do que posso concluir.
Não consigo analisar.
Sem as informações.
Preciso de ajuda.
E não sei como pedir.
Tenho medo de conversar.
Não quero confundir as coisas
Nem transferir os problemas.
Preciso de segurança no estar.
Parece que eu perco pro celular.
Parece mais de longe do que de perto.
Nem sei mais o certo.
Preciso da outra opinião.
Pra chegar numa conclusão.

Tenho pensado em mim.
Preciso me entender
E entender-nos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Secretos

É sabido que super-homem e
Thor não existem.
Mas quem não queria ter um super poder?
Voar ou ficar invisível?
Ser super-forte ou ler mentes?
Voar em dragões, prever o futuro?
Seria interessante poder fazer coisas sobrenaturais
Ser um dos x-men ou até mesmo um power ranger

Ninguém é. Não desse jeito.
Mas todo mundo pode ser!

Nos pequenos gestos que ajudam alguém
Aquele amigo que dá um abraço no momento certo
A mãe que põe um lanche na mochila e o filho com fome não sabia que estava lá e encontra.
É o carinho sincero e acolhedor,
Que tudo cura por um instante
E por um instante existem heróis em todo lugar
Escondidos na ferocidade do cotidiano
Incógnitos em atos simples
Não sabem que tem super poderes
Mas fazem toda a diferença do mundo

terça-feira, 20 de junho de 2017

História de hoje, de ontem e de amanhã

Pensar no tempo é estranho. E pensar que 4 anos atrás, eu não estava nem perto de onde estou agora. Eu estava a um mês de terminar meu intercâmbio na Itália. Estava em Florença, vivendo os dias finais do que seria um ótimo ano pra se lembrar.

É estranho pensar em como nada que pensava na época tinha a ver com o hoje.

Não pensei que estaria usando o mesmo computador. Nem pensava que estaria na mesma casa, fazendo as mesmas coisas. Ao mesmo tempo também não pensei que seria muito diferente, simplesmente não pensava tão especificamente, minha casa parecia tão longe quanto esses 4 anos, tão longe que eu não consegui projetar o que seria de mim depois dessa volta pra casa. Estava tão preocupada em aproveitar aquele estilo de vida que estava no fim. Tanto que 4 anos depois tenho marcas, sinto cheiros e vejo coisas da Florença de 4 anos atrás.

Também não pensei que 3 anos atrás a gata que chegou em casa ainda está em casa e a pessoa que trouxe a gata não vem mais aqui.

E a chegada da gata coincide com outro começo.
O mais inimaginável e improvável na minha vida de 3, 4 anos atrás.

Conheci e gostei de alguém. E esse alguém gostou de mim. E demos chance um ao outro. E agora ele deixa um dia sem sol divertido e aumenta os graus de felicidade das coisas. E quando paro pra pensar em daqui 3, 4 anos, a certeza que me vem é de querer estar junto, não importa onde, nem como.
Só com quem: V

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Analisando-me

7 anos de blog. Muita coisa registrada. De útil a inútil, de supérfluas e indiretas a não muito diretas e profundas. Estava procurando um post que falasse sobre relacionamentos. Com um olhar mais curioso, de quem não achou o que estava procurando, acabei identificando uma própria evolução nas entrelinhas dos posts, que vou tentar expor nessa retrospectiva.

2009 é o começo do blog e os posts basicamente contem pensamentos imediatos nem um pouco desenvolvidos e muita coisa copiada da internet de sites de humor bobinho.

2010 é um novo começo. Mudei de faculdade e muitas perspectivas mudaram. Passei a tentar formar algo mais com formato de diário mesmo, falando das expectativas do que podia acontecer e das minhas peripécias nas coisas acontecidas. Ainda superficial com relação a sentimentos, o primeiro post que revela algo mais denso aparece só em setembro, como um desabafo sobre minha avó hospitalizada. Então, quase no fim de 2010 aparece o primeiro texto-poema chamado Escolha, que tem um pouco mais de maturidade na escrita, com esboço da forma que escrevo alguns posts hoje.

Então 2011 começa na mesma onda que estava 2010, sem nada muito trabalhado e os posts ainda naquela mistura de diário com bobeiras engraçadas da internet. Mas mais uma vez em setembro algo gera um post mais denso, chamado Pedaços. Ele traz uma temática heartbreaker que dura mais uns 2 ou 3 posts e termina no fim de 2011 com Resposta da questão, onde parece que eu encerro o assunto da minha parte.

Paro aqui pra analisar a minha trajetória. Até aqui eu estava provando um jeito de viver bem tranquilo. Tinha tanta coisa pra me ocupar e pra descobrir sobre mim que eu não conseguia pensar em me relacionar com alguém. Em um momento anterior até pensei nessa possibilidade, mas a desilusão amorosa me levou pra um caminho defensivo que queria saber só de mim e mais nada.

2012 tem um tom novo, cheio de dúvidas sobre minha liberdade e o que quero fazer da vida. Um post de março resume bem como consegui ser aprovada no intercâmbio e a partir daí começa uma série sobre o acaso e o dilema ir ou não ir pro intercâmbio. E quando decido que vou, começam os posts reflexivos sobre o que acontece com o que fica. A parte de 2012 no intercâmbio volta a ter o tom de diário com a intenção de registrar o que eu vivia por lá, mas tem um único poema saudoso. Estava curtindo o auge da minha liberdade, provando os lados bons e ruins do começar do zero. E achei uma pérola em italiano, o desabafo e a cicatrização definitiva da ferida antiga, dos posts de 2011. Forse é a conclusão dessa primeira jornada.

2013 estou em Florença. Que espetáculo. O inverno tinha me castigado mas eu levantei com tudo e iniciei a exploração e o meu descobrimento. Peguei a mochila e viajei mais do que poderia. Os posts falam disso e chega um momento que estou vivendo tanto que não paro pra escrever mais nada de interessante. O fim do intercâmbio é acompanhado dos 3 posts de julho, sendo que um deles eu não sei de onde veio.
Posso dizer que o semestre não registrado de 2013 passei por muita coisa maluca. Estava meio perdida descreve bem esse tempo. Toda intensidade tinha que ser colocada de volta no recipiente rotineiro. Eu era um leão selvagem recém colocado com outros num zoológico.
Comecei a me reencontrar quando fui pro Chile e conheci a irmã da Loreto. Nós 3 saímos pra passear sob a cordilheira dos Andes e comecei a me reestruturar. A ficha da garota que tinha ido pro intercâmbio caiu pra dar espaço pra eu construir em cima de tudo que tinha aprendido. Foi um toque feminino que eu ainda não tinha escutado, e foi essencial.
Retomei o blog numa lerdeza, mais porque precisava de um lugar particular pra expiar meus pensamentos. Vivia uma problemática pra me readaptar ainda em dezembro, e dezembro também cortei muitos laços com pessoas que finalmente percebi que me ancoravam. Nesse momento eu percebo hoje que era o passo necessário pra eu poder iniciar a minha preocupação com os relacionamentos.

2014 ia começar do zero em diversos aspectos e isso me deu muita energia. Poucos posts de um ano em que muita coisa aconteceu. Os primeiros meses de 2014 foram um pouco conturbados, verdade, mas serviram pra me guiar estilo terapia de choque. As besteiras foram necessárias pra me colocar no caminho certo.

2015 foi um ano diferente, efetivamente ele está encerrado desde o dia 23 de dezembro pra mim. Experimentei um lado meu que eu não conhecia e que eu gostei bastante, apesar de ser um pouco frágil demais pro meu lado racional.
São poucos posts nesses 2 anos que não contabilizam a quantidade de coisas que aconteceram, mas alguns contém textos que seriam classificados quase como bons. Os textos que não são meus são realmente bons.

E já que estou aqui, por que não falar de 2016?
Não sou robô sem expectativas, mas de verdade não pensei ainda. Continuo com as certezas das coisas que eu não quero e o resto deixo acontecer.

Ah sim, tem uma coisa que quero por muito tempo, tanto que 2016 é pequeno demais pra servir como referência.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Um belo dia

Quando saiu do quarto, era mais um belo dia amanhecendo. A montanha com a forma de gigante iluminada a leste, os picos amarronzados continuavam a pintar o horizonte e a brisa do mar soprava do oeste.
Só não entendia a euforia, nada havia mudado! Por que as pessoas pareciam mais felizes? Andou no meio dos desconhecidos e lhe diziam feliz ano novo ao passar. Fora isso e a felicidade, nada de diferente.

E então, saiu do quarto, era mais um belo dia amanhecendo. A montanha com a forma de gigante iluminada a leste, os picos amarronzados continuavam a pintar o horizonte e a brisa do mar soprava do oeste.
Tudo estava como antes, mas que notícia trágica tinha perdido? Andou no meio das pessoas e recebeu somente olhares estranhos. A euforia havia sumido tão rápido havia aparecido.

Que mundo complicado, pensou. Controlados por uma folha de papel que no final é jogada fora para dar lugar a um novo papel, até o bloco todo acabar e ser trocado por um novo. O que aquele dia igual aos outros tinha de especial? Será a comemoração da troca dos blocos de papel? Será que esses caracteres marcados em vermelho fazem as pessoas se sentirem felizes?

Tentou falar pras pessoas ficarem felizes novamente, não funcionou. Duvidou da própria sanidade, podia ser feliz também nesse dia não especial? Não só podia, como deveria. Em uma breve epifania, decidiu que não iria se deixar controlar pelo ciclo das trocas de blocos de papel, não!

Decidiu ser feliz todos os dias.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

The One Quality Great Teammates Have in Common

By John O’Sullivan

“Coach, can I talk to you?”
“Sure,” I said. “What’s on your mind today Michael?”

“Well, I just want to know what I can do so I get to start more games and get more playing time as a center midfielder. I don’t think I am showing my best as a winger, and my parents tell me I am not going to get noticed by the college scouts unless something changes.” Well Michael,” I said, “there is something that all coaches are looking for from the players they recruit. In fact, it is exactly what I am looking for from you as well. If you approach every practice, every fitness session, and every match with this one thing, I think you will see a huge improvement in your play, regardless of where you play. Interested?”

“Of course, coach. What is it?”

I waited a moment before I answered to make sure he was listening.
“You have to stop asking what you can get, and start asking what you can give. You must serve.”

Michael furrowed his brow as he tried to process what I told him.
“You want me to serve the team, like with food?”

I smiled, “No Michael, serving others is the one thing that unites successful people, from friends to employees to athletes to business owners. The great ones know that to be more they must become more, and to become more they must serve others.”

“So, you are saying that instead of asking what I can get from the team, I should be asking what I can give to the team?”

I wanted to leap out of my chair and hug him.

Michael got it. It’s not about him. It’s not about me. It’s about service. The tool that would eventually earn him more playing time and increase his chances of playing in college serving others by focusing upon what he could give, instead of what he could get.

My great friend and coaching mentor Dr. Jerry Lynch is the founder of Way of Champions is the winner of 34 NCAA titles and one NBA World Championship as a sport psychologist and consultant. He calls this paradigm-shifting question the most effective question an athlete can ask, and an attitude that every coach must try and instill in his or her team.

We live in a world these days where self-centeredness and a ‘what’s in it for me” attitude of entitlement is far too prevalent. In the age of the selfie, Instagram, Facebook and a million other ways to say “look at me,” the concept of teamwork and the importance of service to others has gotten lost in the shuffle.

This is very sad, because service to others is the exact thing that athletes need to not only become elite performers, but the type of athlete that coaches look for, celebrate, and fight over at the next level. Do you want to stand out from the crowd? Start by serving everyone in that crowd.

Far too many athletes bring the attitude of “what do I get” to practice and games. They want to know how they can:
Get to start
Get more playing time
Get to play my favorite position
Get to score all the points/goals
Get to work hard when I want to
Get to show up (physically and mentally) when I feel like it
Get to give less than my best because I am an upperclassman
Get attention as the star player

Sadly, this is the path to short-term satisfaction, at the expense of long-term development and high-level performance. This attitude does not promote success; it inhibits growth on and off the field, the court, and the ice.
If you want your athletes to perform at their very best, whether you are a parent or coach, then you must get them the right question.

What can I give?

Athletes who ask themselves what they can give bring “I can give/I can do” attitudes and actions to the table for their teams. The can actually “get” everything they are looking for simply by starting with the following service oriented ideas:
I can give my best effort in practice and games
I can give my team a positive attitude no matter what the circumstances
I can give my team a boost no matter how many minutes I play
I can give my team a better chance to win no matter what position I play
I can do the dirty work so my teammate can score the goal and get the glory
I can sacrifice my personal ambitions for the better of the group
I can lead by example
I can be an example of our core values in action

As a coach, I used to think that the most important thing was to have my best players be my hardest workers. But now I realize that isn’t enough. Being a hard worker can still be a selfish pursuit.

No, the most important thing as a coach is to have a team that all ask “what can I give,” especially when it come to your captains, your upperclassmen, and your most talented athletes. You must teach them that the selfish attitude may once in a while lead to success, but the selfless attitude leads to excellence, celebrates the success of others, and makes you the type of athlete that EVERY COACH wants on his or her team.

The most successful sports team in the professional era is not the NY Yankees, or the Boston Celtics, or Real Madrid, but a team from a far less known sport. It is the New Zealand All Blacks in rugby, who have an astonishing 86% winning percentage and numerous championships to their name. In the outstanding book about the All Blacks called Legacy, author James Kerr discusses one of their core values that epitomizes the selfless attitude.

It’s called “Sweep the Shed.”

You see the goal of every All Blacks player is to leave the national team shirt in a better place than when he got it. His goal is to contribute to the legacy by doing his part to grow the game and keep the team progressing every single day.
In order to do so, the players realize that you must remain humble, and that no one is too big or too famous to do the little things required each and every day to get better. You must eat right. You must sleep well. You must take care of yourself on and off the field. You must train hard. You must sacrifice your own goals for the greater good and a higher purpose.

You must sweep the shed.

After each match, played in front of 60,000 plus fans, in front of millions on TV, after the camera crews have left, and the coaches are done speaking, when the eyes of the world have turned elsewhere, there is still a locker room to be cleaned. By the players!

That’s right, after each and every game the All Blacks leading players take turns sweeping the locker room of every last piece of grass, tape, and mud. In the words of Kerr: “Sweeping the sheds. Doing it properly. So no one else has to. Because no one looks after the All Blacks. The All Blacks look after themselves.”

They leave the locker room in a better place than they got it. They leave the shirt in a better place than they got it. They are not there to get. They are there to give.

If you are a coach, recognize that by intentionally creating a culture where players seek to give instead if get, you will have a team that not only develops excellence on and off the field but is a team that is much more enjoyable to coach. Create a culture that rewards the 95% who are willing to give, and weeds out the 5% who are trying to get. When you do, the “getters” will stick out like a player who is vomiting: he feels better and everyone else feels sick. Eventually, he will get on board, or be thrown off the ship.

Parents, teach your children to be teammates who give. It will not only serve them well in athletics; it will serve them well in life.

For as former NY Yankee great Don Mattingly so eloquently stated:

“Then at one point in my career, something wonderful happened. I don’t know why or how . . . but I came to understand what “team” meant. It meant that although I didn’t get a hit or make a great defensive play, I could impact the team in an incredible and consistent way. I learned I could impact the team in an incredible and consistent way. I learned I could impact my team by caring first and foremost about the team’s success and not my own. I don’t mean by rooting for us like a typical fan. Fans are fickle. I mean CARE, really care about the team . . . about “US.”

Mattingly continued: “I became less selfish, less lazy, less sensitive to negative comments. When I gave up me, I became more. I became a captain, a leader, a better person and I came to understand that life is a team game. And you know what? I’ve found most people aren’t team players. They don’t realize that life is the only game in town. Someone should tell them. It has made all the difference in the world to me.”

Please share this article with an athlete or a team that matters to you. Encourage, no implore them to take Don Mattingly’s advice, to take the All Blacks advice. Come to prepared to compete, and to be a “giver” and not a “getter.”

You will stand out.

You will be a difference maker.

And you will get everything you want by giving full of yourself, and helping everyone else get what they want.
It changes everything.

Please share your thoughts below on what it means to give instead of to get.

Fonte: Changing the game Project

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Pensamento para Época de Micael por Rudolf Steiner

"Temos que erradicar da alma todo medo e temor
do que o futuro possa trazer ao homem.
Temos que adquirir serenidade
em todos os sentimentos e pensamentos a respeito do futuro.
Temos que olhar para a frente
com absoluta equanimidade para com tudo o que possa vir.
Temos que pensar somente que tudo o que vier,
nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria.
Isto é parte do que temos que aprender nesta era:
Viver com pura confiança sem qualquer segurança na existência.
Confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.
Em verdade, nada terá valor se a coragem nos faltar.
Disciplinemos nossa votade e busquemos o despertar interior,
todas as manhãs e todas as noites."

Rudolf Steiner

Meditação para Época de Micael

Nego-me a submeter-me ao medo
Que tira a alegria da minha liberdade
Que não me deixa arriscar nada
Que me torna pequeno e mesquinho
Que me amarra
Que não me deixa ser direto e franco
Que me persegue
Que ocupa negativamente a minha imaginação
Que sempre pinta visões sombrias

No entanto,
Não quero levantar barricadas por medo do medo
Eu quero viver e não quero encerrar-me
Não quero ser amigável, por medo de ser sincero
Quero pisar firme porque estou seguro
E não para encobrir o meu medo
E quando me calo
Quero faze-lo porque amo
E não por temer as conseqüências de minhas palavras
Não quero acreditar em algo
Só pelo medo de não acredita-lo
Não quero filosofar
Por medo que algo possa atingir-me de perto

Não quero dobrar-me
Só porque tenho medo de não se amável
Não quero impor algo aos outros
Pelo medo de que possam impor algo a mim
Por medo de errar
Não quero me tornar-me inativo
Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável
Por medo de não me sentir seguro no novo

Não quero fazer-me importante
Porque tenho medo que se não, poderia ser ignorado

Por convicção e amor
Quero fazer o que faço
E deixar de fazer o que deixo de fazer

Do medo quero arrancar o domínio
E dá-lo ao AMOR
E quero crer no reino que existe em mim.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Os terços - por Flávio Nas

Esse tal relacionar-se
complica demais
quando na intensidade
confundimos os tais:
-"Paixão";
-"Amor";
-"Tesão".
Apaixonar-se faz leveza, eleva até o céu...!
Amar nos plenifica, perdoa, acolhe...
Tesão é certeza física de podermos saborear
cada centímetro da alegria...!
*
Mas nesse mundo que vivemos
é difícil quem se faça Inteiro.
Repetimos a relacionar, sempre com nosso terço:
Terço da paixão
...que sem Amor e Tesão, vive intensas fissuras;
Terço do Amor
...que sem Paixão e Tesão, vive só amizades;
Terço do Tesão
...que sem Amor e Paixão vive só satisfações.
...e não diria raro
o relacionar inteiro-fragmentado:
com a "fissurada" "amiga" de "sexo ao acaso".
*
E desse grande embaraçado
que fazemos por acaso
desses três sentimentos
tão diversificados
criamos as novelas,
as poses, as cenas,
A moda, os temas,
fofocas, polêmicas
criamos canções
sem mais sensações
fazemos ações
sem querer fazer
as mil confusões
o desentender
as vis discussões
perversões na TV...
...porque vivemos sempre a nos conter?
*
... e quando reconheço quem se faça inteiro
me tira o medo da noite, o medo de dentro.
Lá no escuro do fundo ainda há algo que arde
a saudades de sermos inteiros
a saudade de estar de verdade.

Flávio Nas

sábado, 19 de setembro de 2015

Aleatoriamente

Eu tinha pensado numa coisa legal pra escrever.
Estava quase dormindo e decidi deixar pra depois.
Esqueci....

Eu senti que seria melhor ficar pra jantar
Não fiquei, achando que deveria manter o plano
Enfrentei uma manifestação....

São sinais(?) que não sabemos interpretar
O sexto sentido, a experiência ou só a vontade do momento?
Saber diferenciar pode te colocar em bons lençóis
Ou maus

E o tempo?
É o que dá certeza de que estamos vivos, senão estaríamos num eterno looping vazio.
O tempo é cruel, importante é tão essencial que de qualquer jeito tentamos medir.
Mas não sabemos, por que as horas boas passam rápido demais e as chatas demoram?
Não sabemos.
Sabemos alguma coisa?
Pequenas certezas, apego ou teimosia?
Uma coisa é certa.
Seguir o coração e viver com essa tranquilidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Praticando um bom coração

Por Jetsunma Tenzin Palmo

Há muitos anos atrás o Dalai Lama esteve no Vale Lahoul onde eu vivia. Ele estava dando algumas iniciações e palestras. Ele permaneceu lá por uma semana. Depois de uma de suas palestras que durou várias horas, eu perguntei a uma das mulheres Lahouli que estava presente “Você sabe sobre o que o Dalai Lama estava falando?” E ela respondeu, “Bem, eu não entendi muita coisa, mas o que compreendi é que é ótimo termos um bom coração”. Então é basicamente isso. O que mais há para se dizer? Se tivermos um bom coração é ótimo, não é? Mas o que entendemos como um bom coração?
Nossa sociedade está muito preocupada com o crescimento pessoal. Estamos muito preocupados em realizar nosso potencial, mas ao mesmo tempo nos preocupamos em estar em conformidade com a sociedade na qual nascemos. É como um paradoxo, pois por um lado somos encorajados a sermos individualistas e por outro, mesmo numa sociedade alternativa, todos deverão ser alternativos da mesma maneira. Vocês perceberam isso?

A sociedade tradicional estava baseada na família. Quando eu era criança brincávamos com jogos em família. Jogávamos monopólio, baralho ou outros jogos, sempre juntos. Era coisa de família. A mãe ficava em casa: ela cozinhava e cuidava das crianças. Cada um se identificava como parte da estrutura familiar. Aí, além disso, nos identificamos com uma classe em particular, casta ou sociedade e até com uma região em particular, país, raça e assim por diante.

O caso é que em uma sociedade tradicional cada um sabia o que era em relação a tudo em sua volta. Cada qual tinha sua posição definida e dessa posição, sendo superior ou inferior (superior para alguns e inferior para outros) – cada um sabia como agir e o que era esperado dele.Havia também tarefas e responsabilidades que faziam parte de ser um grupo, ou parte da família, ou de uma pequena sociedade onde se vivia. Eu me recordo que mesmo tendo sido criada em Londres, se alguém na vizinhança adoecia, todos os vizinhos ajudavam. Havia um senso de que ser vizinho significava cuidar uns dos outros.

Na época do meu crescimento, este senso de fazer parte de uma rede de interconexões era ainda muito forte. Mas hoje, na medida em que o individualismo torna-se cada vez mais veemente, parece que a sociedade está se tornando cada vez mais alienada. Assim, o senso de ser capaz de comunicar-se com os outros diminui. Não somos mais criados com o sentimento de respeito, dever e responsabilidade, mas sim, com o sentido se assegurar “meus direitos” e cuidar dos “meus interesses”.

Pensamos que assim nos tornaremos capazes de nos expressar, de conseguirmos aquilo que desejamos e de fazer tudo aquilo que nos agrada. A idéia é a de que o individualismo nos tornará plenos, que isso nos ajudará a descobrir quem realmente somos de forma a trazer um sentimento de grande satisfação. Essa é a idéia não é? A de que se agirmos exatamente da forma que desejamos, dissermos exatamente aquilo que queremos dizer e pensarmos sobre o que quisermos, de alguma forma isso nos trará felicidade, satisfação e plenitude, pois estamos conseguindo o que queremos. Então como isso tem dado tão errado?

Podemos observar isso claramente em um lugar como a Austrália: externamente a Austrália parece um paraíso não é?

Quero dizer, para mim, que vim de Nova Deli, fiquem certos de que a Austrália parece ser um paraíso! É tão limpa e tão organizada: o tráfego flui nas pistas certas, não existem vacas perambulando pelas estradas (as vacas estão nos pastos, não nas ruas). Não há pobreza ostensiva, não há leprosos nem mendigos nas ruas. Quando se olha para isso, realmente parece algo saído de um livro de gravuras. Então por que a Austrália possui um dos maiores índices de suicídio do mundo? O que acontece de errado?
Essa é uma pergunta profunda e perturbadora. Eu não sou socióloga nem tampouco psiquiatra, então não vou me aprofundar nisso. Mas por detrás dessa pergunta há essa escuridão porque nossa sociedade, os meios de comunicação e o sistema educacional tentam incentivar as pessoas a pensarem que o que importa é o sucesso, que ser belo e popular, ter rios de dinheiro e lindas roupas trará a todos felicidade eterna. Certamente isso não é verdade. Se assim fosse, vocês não estariam aqui esta noite, uma vez que isso seria o suficiente e nós não precisaríamos buscar nada além.

Atualmente, o Oriente – especialmente países do terceiro mundo – está começando a absorver essa consciência consumista. Estão começando a se ligar nessa ética que diz “mais é melhor” e que a vida sem televisão, sem carro ou roupas da moda ou o que quer que seja é privação. Então para sermos felizes temos que possuir essas coisas. A maioria das pessoas não tem isso, há uma classe média emergente, mas a maioria ainda vive do essencial. Contudo, olhando esses artigos de luxo na televisão eles pensam “se tivéssemos essas coisas seríamos eternamente felizes”. Eles vêem esses programas americanos dublados em Hindi mostrando casas americanas incríveis e imaginam “agora, se tivéssemos uma casa como essa, isso seria o nirvana”. Mas porque não a possuem, isso fica como um brilho distante. Contudo, no Ocidente temos essas casas. Muita gente cresceu em uma casa que tinha tudo isso.

Lembro-me de uma amiga alemã que morou em nosso acampamento Tibetano. Ela estava feliz porque ia comprar um aspirador de pó! Durante semanas ela procurou entre várias ofertas e finalmente comprou um. Ela estava feliz aspirando toda a sua casa. Vocês imaginam alguém tão extasiado com um aspirador de pó?

Mas se não podemos ver essas coisas, existe a forte idéia de que se pudéssemos tê-las, elas proporcionariam permanente alegria. Claro, ela era alemã, e embora muito entusiasmada ela sabia que isso era muito tolo, mas se jamais tivermos essas coisas poderíamos ficar fascinados pelo sentimento de que ali está a resposta… de que se ao menos pudéssemos possuir essas coisas.

Agora no Ocidente, porque possuímos tantos bens materiais – se tivermos o mínimo de inteligência– nos daremos conta de que isso não é a resposta, pois o vazio permanece dentro de nós e não importa com que objetos tentemos preenchê-lo, o sentimento de falta continua dentro de nós. Isso não significa que não devamos ter televisão, carro ou aspirador de pó. O problema não está no objeto ou se temos pouco ou muito. A questão é se acreditamos que essas coisas nos trarão uma satisfação profunda. Assim, para os ocidentais isso é uma vantagem: se pudermos superar o senso de sonhar com coisas materiais, poderemos ter atingido o estágio onde se começa a pensar que deve haver algo mais.

Nos agarramos àquilo que pensamos ser os valores modernos, mas eles são usualmente apenas os valores superficiais que nos foram dados a colheradas pelos meios de comunicação, pelo ambiente onde vivemos e pela sociedade. Daqui há dez ou vinte anos olharemos pata trás e pensaremos: meu Deus eu realmente usei aquilo? Eu realmente pensava aquilo? Porque pensamentos e opiniões, julgamentos e tendências, facilmente tornam-se obsoletos tanto quanto as roupas que usamos.

Na nossa sociedade somos ensinados a pensar em nós. Somos treinados a nos desenvolver de forma a sermos bem sucedidos. Somos ensinados sobre a necessidade de progredirmos na vida – em qualquer esfera– e provar a todo mundo que somos bem sucedidos para que todos nos invejem. Como resultado, nossa sociedade constrói cada vez mais uma cultura de pessoas alienadas. Isso, é claro ajudado pela era do computador com as pessoas se relacionando mais facilmente com ele do que com os membros de sua família. Tipicamente marido e mulher vão para o trabalho e se matam de trabalhar. Voltam para casa e então o que fazem? Trazem comida pronta – ninguém mais cozinha – e desmaiam na frente da televisão. E as crianças voltam para casa, vão para seus quartos assistir seus próprios programas. Todos plugados na internet ou nas suas caixas de e-mail. Onde está a comunicação entre eles?

Então estamos nessa sociedade onde os adolescentes crescem incapazes de se comunicarem. Mesmo quando se encontram eles são frequentemente tragados nas suas próprias diversões. Vemos pessoas nas ruas ouvindo música com seus fones de ouvido ou falando nos seus celulares. Em outras palavras, elas estão andando no seu próprio ritmo. Estão completamente enclausuradas no seu próprio mundo – não no mundo ao seu redor – mas no mundo “martelando” em suas cabeças. Assim nos tornamos cada vez mais alienados e na medida em que ficamos cada vez mais solitários em meio aos outros, mais deprimidos nos tornamos. Isso é uma ironia.

Por que os ocidentais com freqüência experimentam alienação, esse desgosto profundo consigo mesmo e o sentimento de estarem desconectados dos outros? A causa parece ser um profundo sentimento de alienação que vem de dentro de si mesmos, não só de fora. As pessoas não estão felizes, nem em paz consigo mesmas. Elas não se gostam. Então se não gostamos de nós mesmos, sempre iremos ter problemas com os outros.

Há 2500 anos atrás quando Budda falou sobre a prática da bondade amorosa, ele disse que haviam duas formas de irradiarmos amor e generosidade para todos os seres. Primeiro poderíamos enviar pensamentos de amor em todas as direções – Norte, Sul, Leste, Oeste, para cima e para baixo, para todo canto. Nós apenas a irradiamos para todos os seres do mundo. Ou poderíamos começar com as pessoas de quem gostamos – família, sócios, nossos filhos– e então extender isso para quem nos é indiferente, depois para pessoas de quem não gostamos e finalmente para todos os seres em todos os lugares.

Contudo, antes de fazermos isso, ele nos aconselhou a começarmos a irradiar para nós mesmos. Para começarmos a nos dizer “que eu esteja bem e feliz. Que eu esteja em paz e tranquila”. Vocês entendem? Se não sentirmos primeiro bondade por nós mesmos, como poderemos ser generosos com os outros? Devemos sentir amor e compaixão por todos os seres sencientes: humanos, animais, insetos, pássaros –seres que vemos e que não vemos, seres dos reinos elevados e nos inferiores, seres por todo o universo. Todos os seres sencientes são objetos de nosso amor e compaixão. Como então omitirmos o ser que se encontra bem aqui? Este ser que supostamente está sentindo este amor sem fim? É como irradiarmos tamanha luz encontrando-nos na escuridão. Isso não está certo – primeiro estendemos nossa bondade para aquele ser que também precisa dela nesse momento: nós mesmos. Isso também diz respeito a desenvolver um bom coração.

Ironicamente em nossa sociedade é tradicionalmente considerado necessário que pensemos em todas as coisas ruins que fizemos e que sintamos arrependimento e culpa.Porque somos
pecadores, deveríamos nos sentir mal. A baixa auto estima é algo positivo porque somos apenas vermes sem importância, se não formos salvos por alguém.

Essa, porém, não é a visão budista. A visão budista diz que desde o início somos completamente puros e completamente perfeitos. Nossa mente original é como o céu – é vasta, sem centro e sem limites. A mente é infinitamente vasta. Não existe “eu” e não existe “meu”. Isso é o que nos interconecta com todos os seres – essa é nossa verdadeira natureza. Infelizmente, no momento nossa natureza genuína está um pouco obscurecida por nuvens e nós nos identificamos com elas. Não estamos nos identificando com o céu profundo, azul e eterno. E pelo fato de nos identificarmos com as nuvens, temos uma idéia limitada de quem somos e de quem os outros são realmente. Se desde o início partirmos do ponto de vista de que sempre fomos completamente perfeitos mas que as coisas tornaram-se confusas e obscureceram nossa verdadeira natureza, não haverá dúvidas sobre sermos ou não indignos. O potencial existe se você for capaz de vê-lo. Cada um de nós o possui: o potencial de Buda, o potencial para a iluminação. Então, onde fica a questão do mundo sem sentido? Uma vez que compreendemos que nosso potencial interno está lá como a base verdadeira e solo de nosso ser, a questão de ter bom coração faz sentido. Porque o que fazemos reflete nossa natureza essencial, seja através da bondade, através da compaixão ou da compreensão. Não estamos tentando desenvolver algo que não temos.

Mudando de metáfora, seria como retornarmos ao manancial puro. Temos dentro de nós um manancial de amor permanente, de sabedoria, compaixão e compreensão que são nossa verdadeira natureza. Sempre existiu, mas foi bloqueada e então nos sentimos interiormente áridos. Olhamos e só encontramos terra seca. Tudo o que vemos é uma imensa pilha de lixo. Então pensamos, “sou apenas uma pilha de lixo. Sou apenas entulho!” Essa é uma terrível falsa identificação. Nos identificamos com essa pilha de entulho e não com aquilo que está sob ela. Sob todo aquele entulho – e não importa se é uma enorme montanha de lixo – a fonte estará sempre lá. Não poderá jamais, jamais, secar. Deveremos descobrir o manancial e ele jorrará como uma fonte. Assim, é muito importante sabermos que, desde o início, temos uma natureza essencial boa, que talvez esteja um pouco encoberta, mas que estará sempre lá.

Agora, certamente há várias formas de começarmos a remover esse lixo. As seis paramitas ou seis perfeições são o caminho que Buddha traçou para a obtenção da iluminação. Elas englobam não só coisas exóticas como meditação e sabedoria, mas começam com o básico como generosidade, paciência e tolerância, conduta ética baseada na inofensividade e no entusiasmo para transformarmos nossas vidas. Todas essas qualidades são muito importantes para nossa transformação interna, pois não poderemos alterar o mundo exterior até que nos modifiquemos. O mundo exterior é o reflexo das mentes dos habitantes na sociedade. Temos a sociedade que merecemos. Nossa sociedade é apenas o somatório das mentes de seus habitantes. Não podemos culpar apenas os políticos e os empresários. Quem delegou poder a eles? Quem os elegeu? Quem compra seus produtos? Se todo mundo amanhã se recusasse a comprar esses produtos a economia entraria em colapso. Então eles teriam que pensar em outra coisa. Mas nós os compramos e o negócio prospera. Nossa sociedade somos nós. Até que transformemos nossas mentes a sociedade não mudará muito. Temos responsabilidade, pois a sociedade não é apenas um grande conglomerado lá fora. Sociedade significa a família, muitas e muitas famílias, muitos e muitos relacionamentos, empresas e lojas. Isso é o que é sociedade. Se alguém sabe como transformar sua própria mente, isso irá mudar a dinâmica da sua relação com a família, com seu lugar de trabalho, com as pessoas que encontrar ao longo do dia. Cada um de nós é responsável por sua transformação interior.

Então começaremos aos poucos. Quando falamos sobre benevolência, há meditações específicas para desenvolvermos essa qualidade. Nas diferentes tradições a prática é um pouco distinta. Mas se não estivermos atentos, a meditação torna-se muito abstrata. Sentamos irradiando benevolência em todas as direções para seres de todo lugar. Estamos sentados lá e todo o universo está repleto de benevolência, então nosso filho chega e diz “Ei! Quero ver televisão “ e nós respondemos  “vá embora!! Não perturbe! Estou meditando
na benevolência!”

Benevolência começa onde estamos. É óbvio, primeiro começa conosco. Temos que chegar a um acordo conosco e então chegaremos a um acordo com aqueles que nos cercam. Se não conseguirmos ter benevolência e compreensão conosco, significa que temos baixa auto-estima e isso não é bom espiritualmente. Alguns pensam que porque o Budismo é contra a auto-apreciação, se nos sentimos confortáveis conosco significa que somos pessoas más. E que isso é apenas o ego. Mas isso é um grande equívoco.

Shantideva, filósofo do século VII, ressalta no seu Bodhicharyavatara que existe uma grande diferença entre orgulho e arrogância – aquela auto-apreciação de “eu” e “meu” e o sentimento de “eu sou maravilhoso”– e auto-confiança que é aquele sentimento de amizade e conforto consigo mesmo e que conduz à confiança de seguir em frente. No ocidente frequentemente nós nos “nivelamos por baixo” porque não acreditamos em nós mesmos. A primeira vez que encontrei Sua Santidade o16º Karmapa, em Calcutá em 1965, nos primeiros 10 minutos de conversa ele me disse “seu problema é que você não tem confiança em você. Você não acredita em si mesma. Se você não acreditar em você, quem o fará?” Isso é bem verdadeiro.

Temos que ser amigáveis e bondosos conosco. Se temos tendência de concentrarmos nas nossas falhas – claro, todo mundo as tem – também devemos reconhecer e encorajar o que há de bom em nós. Porque se ignorarmos isso, murcharemos como uma planta murcha longe da luz do sol. Podemos considerar: “bem, sou uma pessoa irada, mas por outro lado sou muito generosa”. Agora, se dissermos apenas: “sou uma pessoa irada” ou “sou irada e ciumenta”, apenas isso, pensaremos então sempre em tudo de ruim que somos. Mas até a pior pessoa tem qualidades e boas coisas que precisam ser reconhecidas e encorajadas.

Buddha disse existirem quatro poderes. O primeiro de todos, o poder de nos livrarmos das qualidades negativas que surgirem e de evitar que outras apareçam no futuro. Segundo, de reconhecermos as boas qualidades que possuímos e encorajarmos outras a surgirem. Devemos reconhecer o que é bom e o que é negativo em nós. Isso vale também para os outros – até aqueles de quem não gostamos possuem boas qualidades.

Todo mundo busca a felicidade. Podemos definir felicidade de diferentes formas. Todos temos idéias próprias sobre onde a felicidade está e alguns têm idéias muito peculiares sobre o que é felicidade – mas, apesar disso, queremos ter felicidade e sentimento de plenitude. Poucas pessoas acordam pela manhã e pensam: como posso me sentir miserável e tornar esse dia o mais miserável possível para os outros? A maioria se tivesse que escolher, iria preferir ser feliz. Assim, quando encontrarmos alguém, devemos nos lembrar: “esta pessoa quer ser feliz”. Basicamente é o que todos querem. Quaisquer que sejam suas idéias equivocadas sobre onde está a felicidade, eles só querem ser felizes. A maioria das pessoas apreciaria mais um sorriso do que um olhar com expressão de desagrado , a maioria não quer ser tratada com rudeza e aprecia a polidez.

Então ao longo do dia, com cada pessoa que nos encontrarmos, nosso sócio, nossos pais, filhos, irmãos ou colegas de trabalho, estranhos que encontramos na loja ou qualquer passante – pensemos “todos eles querem ser felizes” e “como posso nesse momento dar algum prazer e alegria às suas vidas? A cada um que encontramos podemos enviar nossa boa vontade, com ou sem palavras, “que você esteja bem e feliz”. Não importa se gostamos ou não daquela pessoa, se é bonita ou feia, nova ou velha. De todo nosso coração: “que você esteja bem e feliz”.

Um Bodhisattiva toma para si o sofrimento do mundo, mas Bodhisattivas estão sempre sorrindo. Isso porque sua compaixão está ligada à compreensão. É muito importante reconhecer que não importa o quão prósperos e bem sucedidos alguns de nós possam parecer externamente, devemos ser seres muito sensíveis intimamente. Sob a máscara que todos usam, há algo muito sensível e delicado, a dor, insegurança e o medo estão lá. E nós sentimos por isso, grande bondade e compaixão.

A genuína benevolência baseia-se na compreensão da situação como realmente é, ela não é sentimental. Também não se deixa levar por uma espécie de euforia de fingir amor, e negar o sofrimento ao afirmar que tudo é alegria e contentamento. Não é assim. A verdadeira benevolência está aberta para ouvir o sofrimento do mundo, mas usando a compreensão. É um paradoxo que, quanto mais centrados ficamos no nosso sofrer, mais sofremos e quanto mais nos preocupamos com o sofrimento alheio, mais cresce em nós um sentimento profundo de plenitude e contentamento.Obviamente isso não significa que nos alegramos com o sofrimento dos outros e sim que nos esquecemos de nós mesmos ao pensarmos nas outras pessoas.

Doentes mentais estão sempre obcecados com eles mesmos. Eles pensam e falam de si mesmos o tempo todo. Se alguém tenta introduzir um assunto mais geral, eles retornam a si mesmos porque é só o que lhes interessa. Estão obcecados consigo mesmos, seu sofrimento, sua vida, suas memórias. Estão completamente trancados em si mesmos. Eles sofrem. Pessoas completamente sadias e interiormente equilibradas pensam nos outros. Elas cuidam de si, mas sua preocupação principal é a felicidade e o bem estar dos outros. E ao pensarem na felicidade e no bem estar dos outros e não primeiramente em sua felicidade e bem estar, eles sentem-se bem e felizes!

Assim, nossa sociedade erra ao acreditar que a felicidade depende apenas da satisfação de nossos desejos e vontades. É por essa razão que ela é tão sofredora. Somos uma sociedade de pessoas obcecadas em obter nossa própria felicidade. Por isso, nos desligamos do sentimento de interconexão com os outros e ficamos desligados da realidade, pois na realidade todos nos interconectamos.

Enquanto tivermos o coração fechado, só conseguiremos pensar em nós mesmos, nem que seja para constatarmos que somos horríveis, pouco inteligentes e sem valor e que sempre seremos fracassados – é um coração fechado. E isso trará a nós e aos outros, muita dor! Temos a mente que está apenas focada na nossa gratificação pessoal –“aquilo que me dá prazer também é bom para o resto do mundo só porque me compraz. É isso que me importa e o resto que se dane. Eles que façam a parte deles. Eu vou fazer a minha” – essa também é uma mente sofredora. Não é uma mente feliz. Pode ser frenética e tornar-se algumas vezes eufórica, especialmente quando encharcada de substâncias químicas, contudo, não é feliz, centrada, satisfeita. Somente quando aprendermos a abrir nosso coração com sinceridade, visando o bem estar dos outros, é que iremos descobrir que esse nosso espaço interior, esse sentimento de falta e de vazio podem ser preenchidos.

Então começamos a partir de onde estamos e de quem somos. Não é bom querer ser outra pessoa; não é bom fantasiar sobre como seria se fossemos de uma maneira ou se não fossemos de outra e assim por diante. Temos que começar aqui e agora, com quem somos e onde estamos, na situação em que nos encontramos no momento. Temos de lidar com isso – com quem vivemos, com quem trabalhamos e com as pessoas que encontramos. Esse é o desafio. Às vezes evitamos as circunstâncias atuais, achando que com o passar dos anos vamos com certeza encontrar a situação ideal em algum lugar.

Mas não haverá hora e lugar ideal porque levamos conosco para todos os lugares, a mesma mente. O problema não esta lá fora, mas dentro de nós. O que precisamos é cultivar essa transformação interna. Uma vez que desenvolvermos uma mudança interior tudo será sempre igual não importa onde estejamos; podemos administrar o que vier.

O que significa amar? No Ocidente confundimos o sentido do amor; atiramos essa palavra de um lado para o outro o tempo todo, desde ”eu amo sorvete” até ”eu amo a Deus”. Mas confundimos amor com desejo, com ganância, com luxúria e com apego. Pensamos que amar algo ou alguém significa agarrarmos aquilo pensando nele como ”meu”. E por causa dessa mente que agarra, nós sofremos bastante. Sofremos por medo de perdermos o que desejamos e sofremos o luto de o perdermos. Pensem nisso. Quase sempre confundimos apego com amor. Mas apego não é amor. Apego é agarrar-se, aderir-se. E essa é a raiz de estarmos no estado de sofrimento.

Buddha afirmou que existe a verdade do sofrimento e da causa do sofrimento. A causa do sofrimento é agarrar. Agarramo-nos violentamente às coisas porque não sabemos como fazê-lo de forma suave. Mas tudo é impermanente. Tudo flui – não é estático ou sólido. Não podemos segurar nada. Se tentarmos segurar a corrente de um rio, terminamos sem nada – pois não podemos segurar a água com o punho fechado e se represarmos seu fluxo, acabamos com algo muito estagnado, fétido e deteriorado. A realidade é movimento. Se tentarmos segurar com força nós a matamos. Isso causa muita dor e muito temor em nossas vidas. Não é amor. Amor é um grande coração aberto. É um coração que pensa ”que você esteja bem e feliz” e não ”que você me torne bem e feliz”.

Para cultivar esse coração que deseja a felicidade dos outros, podemos começar com nossa família. Isso significa tentar fazê-los felizes e sermos receptivos a eles. Nada de agarrar-se ou aderir-se – apenas estar lá para eles. Demonstrar-lhes amor, afeição, pois eles são os primeiros a necessitarem do nosso amor e afeição. Mas nada de afeição possessiva.

Quando eu tinha 19 anos, decidi buscar um Lama e disse a minha mãe: ”vou para a Índia” e ela respondeu: ”é mesmo, quando você vai?” Ela não disse: ”o que você quer dizer com ir à Índia?”. ”Como você tem coragem de deixar sua pobre velha mãe?” Ela disse: ”é mesmo, quando você vai?” não porque ela não me amasse e sim porque ela me amava. Ela me amava e queria que eu realizasse meu potencial e fosse feliz. Ela não estava pensando “Oh, mas se você me deixar vou me sentir solitária. Vou me sentir miserável, como você pode me abandonar?” Por causa do seu desapego ela se alegrou com minha felicidade. Mesmo quando eu estava longe, apesar de ter certeza que ela sentia muitas saudades de mim, ela se alegrava com as coisas que eu fazia, com os lugares que eu conhecia e com as pessoas que eu encontrava. Ela veio para a Índia ficar um ano comigo. Mas retornou para Londres. Todo o tempo em que estive longe ela nunca me escreveu dizendo: “ok agora volte, estou ficando velha e é sua obrigação como filha voltar para cuidar de mim”. O máximo que ela escreveu foi: “bem, eu sei que você realmente pertence à índia, mas há 10 anos você está longe. Então se eu mandar uma passagem de volta você viria passar em mês?”

Isso é amor. E aquele coração de bondade não é algo impossível. Pode ser cultivado. A alegria em fazer os outros felizes, de pensar em como doar um pouco de felicidade, um pouco de satisfação àqueles que encontramos através de uma palavra gentil, um sorriso, um presente ou qualquer outra coisa. Não é pensar “oh, mas eles nunca me deram nada, porque eu deveria dar-lhes alguma coisa?” ou “eles nunca sorriem para mim, então vou sorrir para eles”. É uma mente pequena e insignificante. Pensem em uma sociedade onde as pessoas são no mínimo boas umas com as outras. Seria o paraíso não seria? Ainda assim não custa muito sermos agradáveis mesmo com quem não nos retribui. Se formos amáveis com todos, então, no geral, as pessoas serão amáveis conosco.

Pois a verdade é que colhemos da vida o que nela plantamos. Se irradiarmos sempre pensamentos e sentimentos negativos – raiva, ressentimento ou apenas preocupação conosco – então é o que teremos de volta. Se pensarmos que o mundo é horrível, e que todo mundo é ruim, então seremos completamente miseráveis. Bem, é a nossa liberdade – podemos fazê-lo, mas se distribuirmos bons e sinceros pensamentos; se nosso comportamento em relação às pessoas for de desejar que elas sejam felizes e, o tanto quanto pudermos, nós contribuirmos de alguma forma com uma palavra gentil ou um sorriso (e com nossa família podemos contribuir de grandes formas) – então eventualmente o que receberemos é o que doamos. No geral, as pessoas serão gentis conosco, no geral, pessoas gostarão de nós. Se nossos sentimentos forem genuínos, teremos também uma resposta genuína.

Nós projetamos nosso próprio mundo. Nossa mente é como um grande projetor e duas pessoas no mesmo lugar podem ter experiências completamente diferentes sobre o que está acontecendo. Uma vez que nos damos conta disso, compreendemos que temos a liberdade de mudar. Não somos computadores que são programados apenas de uma forma. Todos podemos mudar. Mas ninguém poderá fazê-lo por nós. Dependerá de nós. Temos que nos modificar. Temos que tomar essa decisão.

Temos essa vida. Essa vida será cheia de desafios. Não estamos neste mundo apenas para nos sentirmos felizes e confortáveis. Animais querem sentir-se confortáveis. O que querem eles? Eles querem abrigo, alimento e talvez queiram sexo (se a eles fosse concedida a oportunidade de não serem esterilizados quando ainda muito jovens para protestarem). Eles querem afeição. Eles querem simpatia e conforto. Nós também. Mas se é só isso o que desejamos da vida, não somos melhores que animais. Mas somos seres humanos e temos a chance de realmente desenvolver nossas qualidades internas – nossa inteligência e nossos impulsos espirituais – o que nos torna especificamente humanos. Pois, se passarmos nossas vidas apenas tentando estar confortáveis, apenas tentando levar uma boa vida evitando qualquer dor e apenas procurando o que é prazeiroso, não só ficaremos decepcionados, mas também não aprenderemos nada.

Alguém disse que essa vida é como um ginásio de esportes da alma. É verdade. Nesse mundo é onde treinamos, e onde a prendemos, aqui é onde desenvolvemos nossos músculos. Podemos nos sentar enroscados numa cadeira e nos tornarmos flácidos. Nós decidimos. Podemos também dizer: “olhe, aqui estou. Esta é minha situação, este é o tipo de pessoa que eu penso ser. Tive essa criação e a aceito. E agora?” Todas as coisas que são negativas, que causam dor a nós e aos outros, podem ser transformadas, ou usadas, podem ser reconhecidas. E aquelas qualidades que precisam de desenvolvimento podem ser desenvolvidas. A única razão para não o fazermos é por preguiça. Nós pensamos “ah não, os outros conseguem mas eu não”. Contudo, todos nós podemos.

Então, isso é conosco. Nós criamos esse mundo na medida em que o projetamos de nossa mente. Podemos torná-lo algo significativo. Podemos trazer uma genuína contribuição para o meio ambiente. Mesmo que seja dentro do nosso círculo, ao ajudarmos os outros a se sentirem melhor, podemos viver uma vida que tem propósito. Assim, no final de nossa existência, poderemos olhar para trás e dizer: “bem, pelo menos fiz o que pude”. Ou poderemos desperdiçá-la, atravessar a vida com resmungos, queixumes, reclamações e culpando os membros da família, a infância infeliz, nossos pais ou o governo e a sociedade.

Depende de nós se vamos para cima, se vamos para baixo ou se ficamos estacionados. Se queremos ser miseráveis, podemos ser completamente miseráveis, temos toda a permissão. Mas se não o quisermos será também por nossa conta. As coisas mudam. As coisas mudam a todo momento. Nós podemos mudar. E se nós nos modificarmos, tudo mais se modifica. Tudo se modifica.

Jetsunma Tenzin Palmo
Gatsal Teachings
Número 22, fevereiro de 2009

domingo, 26 de abril de 2015

Todo apego gera sofrimento

"No amor e nos relacionamentos pessoais vale a mesma regra. Você só estará pronto para amar verdadeiramente quando estiver bem sozinho, quando se bastar e não depender dos outros. Deve ser muito bom estar com a pessoa que ama, mas também deve ser muito bom estar sem ela. Seu amor não pode ser uma muleta.

“Quem não é um bom impar,
jamais será um bom par.”

Você também precisa entender que tudo que faz é por si mesmo, e não pelos outros, não deve esperar contrapartida.

Se quiseres preparar um café da manhã para a pessoa que ama, e surpreendê-la, faça-o e mergulhe todo seu ser nesta tarefa, absorva o prazer de cada instante, de cada detalhe da preparação. Entregue ao seu amor e curta cada detalhe, cada expressão do seu rosto, absorva aquilo e sinta todo o prazer que você merece. Depois, sinta-se satisfeito, compreenda que foi bom para você e que o outro não precisa retribuir. Não espere que lhe façam o café da manhã no dia seguinte. Se você não quiser repetir mais isso, não repita, mas também não cobre nada do seu amor. Você simplesmente fez o que queria e lhe deu prazer. Isto basta, acabou, não espera nada em troca. Você fez porque quis e foi bom para você ! Só isso ! Acabou !

Este é o amor incondicional, que não espera nada em troca, que não se apega porque respeita a liberdade do outro. Que ama a essência do outro e todas as suas formas de manifestação. Onde suprimir uma destas formas de manifestação é macular este amor, é destruir o que você ama.

Amar verdadeiramente é amar o outro em liberdade e não em uma gaiola.

Os que não entendem estes conceitos vão confundir isto com falta de interesse, porque só sabem viver no apego. Se apegam e se viciam em tudo que gostam e não conseguem entender como alguém pode gostar e não sofrer com uma perda.

Você deve amar ao outro como ser livre, sem posse e sem dependência. A sensação de posse vem da sua dependência, do medo de perder. Você não é livre porque depende e quer tirar a liberdade do outro para não perdê-lo.

Dependência não é amor, quem depende apenas usufrui. É apenas um vampiro. E dois vampiros formam apenas uma simbiose, mas nunca serão dois amantes.

“Dê a quem você ama:
asas para voar,
raízes para voltar
e motivos para ficar.”
Dalai Lama

Não há nada mais belo do que dois seres livres permanecerem juntos ligados pelo amor incondicional. Este é o verdadeiro amor, fiel pela sua natureza, que é a própria liberdade.

através de Prama Shanti"

Achei interessante esse texto,  combina com um momento muito feliz que estou vivendo.

Acrescento este vídeo de uma monja que sabe o que diz:
https://youtu.be/gjV5zaGd0gA

domingo, 9 de novembro de 2014

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pessoa certa, tempo errado.

Escutei isso. Foi difícil.
Eu até desconfiava que fosse acontecer, mas não com essas palavras.
Elas atravessaram meu peito como um kame-hame-ha.
Já dá pra entender o que restou.....
Meu lado esquerdo desabou enquanto o direito tentava articular uma resposta.
Algo do tipo "eu entendo" deve ter saído.
Meu lado direito entendeu e podia continuar.
Mas o esquerdo estava pesado demais pra ser levantado.
Limpou minha lágrima escorrida.
Não ajudou muito....
Pela segunda vez me senti frágil
Não tinha ainda o que falar.
Fiz uma reconstituição podre 24h depois.
Uma casca de ovo.
A minha casca de tartaruga
Estava perdida em algum lugar.
Compactei o lado esquerdo,
zipei e larguei em algum lugar.
O password é evidente
mas assim posso continuar.
Li sobre a mulher-esqueleto. 
Vida-morte-vida.
Quanto se aplica ao contexto eu não sei.
Eu acredito em tudo que foi dito.
E o que não foi dito:
Será que foi o medo de encarar
o que poderia ficar mais profundo,
ou será que o problema é só seu?
Acreditar na primeira deixa um fio de esperança pesado.
Talvez o que eu mostre seja apavorante como a mulher-esqueleto?
A segunda é terrível porque significa que eu não tenho espaço em você.
E isso é a pior coisa que posso imaginar.
Agora sou eu quem só pode cheirar a torta de limão.
E confabular sobre as possibilidades.
Não sou dessas, por você fui um pouco,
Estou sendo, incontrolável.
Um pouco de loucura, um pouco de surpresa
Improviso dentro do controle. Leveza.
Não é muito, e parece insano.
Mas deixa eu te levar.
A loja de doces pode te ajudar
Mas comigo ia acontecer
Será que um dia você vai perceber?
Ainda dói. O tempo cura.
Não deixa o vento que me trouxe assoprar
As asas que me protegem
Também me fazem voar
Meu coração que estava lá no fundo
Apareceu pra você.
Agora minha mente maquiavélica
Vai sequestrar, trancar e esconder as chaves
E de novo vou voltar a ser tartaruga.
Espero que esteja preparado pra procurar
Ou chegar quebrando tudo
E reivindicar o que ainda é seu a tempo.
Aquele mesmo tempo que não era certo.
Acho que era o certo.
Não foi.
Mas basta você querer que ele seja.
Pode trazer tudo pra mim quando quiser.
Eu gosto de lego.
Vamos construir. Leve e resistente.
Carpe diem.
Eu posso e eu quero.
É inédito pra mim.
É muito forte.
E pode ser muito bom.
Não tenha medo.
Apaga o que já foi.
Porque eu não pareço
Com nada que você já viveu
Deixa eu te assustar
Deixa eu te mostrar mais
Deixa o meu mundo
Contaminar o seu
Eu sou a pessoa certa
Palavras suas.
Acredite nelas.
Eu sou.
E te quero.
Pacote completo.
Do jeito que quiser.
Só falta você querer.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Bebê

Eu sempre assusto quando vejo foto de amiga minha com bebê.

Não é que eu não quero ter filho. É que ter um filho agora seria apavorante pra mim.

Primeiro porque não acho que estou preparada e então já é motivo suficiente.

E eu me coloco no lugar da pessoa e em como vários planos teriam que ser mudados com um filho nesse momento.

Óbvio que os planos mudariam, mas uma parte de mim ficaria chateada por um tempo.

Também os planos da pessoa não devem ser os meus, tudo se encaixa e a vida continua.

Mas ainda me assustarei por um tempo com fotos de pessoas com bebê. E mais ainda se elas forem as mães, por enquanto na maior parte dos casos não são.

Fica a reflexão secreta.

Sem mais por hoje.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Aperto

parece que nasce uma fagulha dentro do meu peito e que ela vai explodir caso eu não faça algo que movimente meu corpo, me faça ver coisas novas.
é tão forte que parece que não poder atender essa vontade vai me implodir
ver fotos de lugares bonitos, fotos do meu intercâmbio, eventos internacionais, queria estar em todos eles....
quero acordar e ter algo novo pra fazer.
quero acordar sem ter o que fazer e encontrar algo inusitado

quero a calma da montanha, a intensidade do mar e a luz da lua pelo caminho
quero encontrar um meio de viver o mundo e não viver só
quero tudo e não quero nada
porque quero dormir na minha cama
e quero que entendam que eu não abandono ninguém
que apesar de estar no meu mundo, não esqueço do mundo dos outros

quero cozinhar mais, jogar mais, saber mais
quanto tempo preciso pra isso

quero ver as artes, quero ver a copa
também quero trabalhar
quero a pausa caffè

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Não só hoje

Texto copiado do The Bro Code

Se eu escolher você,
vou ligar de madrugada e dizer:
“vem me ver.”
O que irá responder?
Respire fundo.
Ou você me da o mundo,
ou não quero nem um segundo.
Se eu escolher você,
fica, não vá embora.
Dói, ter que dizer: “volta.”
Não quero viver de lembrança.
Quero presença.
Me de licença,
para a sua ausência.
Se eu escolher você,
cuide bem de mim.
Sou apenas uma pessoa,
que sonha, pra você vir.
Se eu escolher você,
não é pra substituir ninguém.
É pra ser alguém.
Alguém pra sexta a noite,
e domingo a tarde.
Se eu escolher você,
não é pra ser, apenas,
mais um.
Seja todo o amor que me falta.
E não, falta.
Se eu escolher você,
não queira ficar por cima ou por baixo.
Vire pro meu lado.
Faça um gesto inesperado.
Me tire pra dançar,
sorrir e sonhar.
Quando eu cansar,
me dê aquele beijo,
tão quente,
que me tira do eixo.
Se eu escolher você,
tire a máscara.
Não gosto de disfarces.
Eu gosto mesmo é da sinceridade.
Não precisa dizer sim,
querendo dizer não.
Se eu escolher você,
não é por razão.
É uma mistura,
entre felicidade e emoção.
Sabe né,
essas coisas bobas,
criadas pelo coração.
Se eu escolher você,
como vai ser?
O mundo inteiro dizendo
o que a gente tem que fazer,
ou, apenas, eu e você?
Eu sei que pode doer.
Como toda história de amor,
você precisa escolher.
Entre o medo,
e viver.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Forças maiores

E eu que achei q poderia me apaixonar,
Estou no mesmo lugar,
Nada mudou.
Continuo a mesma teimosa de sempre.

A única diferença é que talvez,
Dessa vez eu me permitiria.
Mas não foi ainda.
Ou talvez tenha sido.

E porque foi pra tão longe.
Não quero não saber "se"
Mas algumas coisas são maiores,
Algumas não, muitas,
Que nós.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sem o controlador de corpos

Ver as coisas acontecerem e me sentir distante ou não me afetar mostra que superei?
Não sentir nada é interessante nessa hora.
Não encontrar mais é só consequência das minhas escolhas.
E encontrar novas pessoas também.

A leveza é aconchegante. Caminhar sem me preocupar.
Meus amigos sabem que não sou grudada no celular.
Perdi o celular. Estar sem ele é libertador.
Me perguntam se vou comprar outro e respondo não.

Passei numa feira da faculdade, para preencher uma ficha qualquer, a moça pediu, nome, email e celular.
Falei meu nome, meu email e disse que não tinha celular.
Pela primeira vez ela tirou os olhos da tela e me olhou indignada.
É legal causar essa reação nas pessoas.

Então, se quiser me achar, é só perguntar e me procurar nos lugares que eu vou.

"Se você não entende não vê
Se não me vê não entende.
Não procure saber onde estou,
Se o meu jeito te surpreende"

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Transtorno

O dia q a moça q fica na esquina da saída da faculdade quase nua (sim, ela é uma profissional) não estiver lá, acho q vou ficar meio transtornada.....

quando alguma coisa não funciona pra vc ou está diferente, ocorre o transtorno.

Decidi que quero coisas em troca, perspectivas do futuro que eu quero, até ser egoísta nesse ponto. Culpa do tempo.
Daquele mesmo tempo que desperdicei porque era mais fácil responder que gostava de batata pra não ter que comer mandioca e pra esconder que eu gosto de macarrão.

Desculpe o transtorno, ele é inevitável.

O tempo também é.

Ambos passam.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Voltando pra realidade

Agora que estou em casa, pé no chão, aqui é Brasil!

A ficha não caiu muito bem, ainda não processei direito a informação.....
Amanhã não posso pegar a bike e dar uma olhada no Palazzo Vecchio ou no Duomo...
Nem vou esperar a Sere ou a Samu me darem carona pro jogo...
Não vou tomar um spritz ou caipirinha com o Ottavio.
A Susana não vai roubar um bocadinho da minha comida.
A Thaís não vem comer meu almoço em casa.
Não vou falar da Laura Pausini com a Ros, nem tomar café com a Anna.
A Irem não vai fazer café turco pra mim.
Nem a Rafa levar chimarrão.
O Eduardo não vai apresentar trabalho comigo, nem a Lisanne ou a Viola.

Que mar de pessoas conheci, conheço.
Que oceano de  lembranças levo comigo.
E agora recupero minha vida normal, será?

Tenho meus tão esperados 15 dias em Ubatuba.
Revejo a vovó, a família para então voltar pra rotina, renovada.

Foi bom ter esse tempo na praia pra pensar, por a cabeça no lugar, falar bastante, o meu bastante que não é muito mas é suficiente. Me reajustar.
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